Meia Vida

Ele vive no passado

Em possibilidades não realizadas

Ele vive no arrependimento

Das decisões que embasaram sua vida

Incapaz de perceber a beleza e as possibilidades do presente

Mesmo que o mesmo esteja bem distante de seus planos juvenis

Escolhe viver amargurado, em isolação

Pois está confortável em sua infelicidade

Vive inconformado

Com o fato de que tudo que lhe foi ensinado, tudo que aprendeu

Está tão longe da realidade quanto a teoria da prática

Silenciosamente, revolta-se com o fato de que o mundo não aceita suas projeções ideológicas simplistas

Vive uma existência dualista, maniqueísta, dicotômica

De bem e mal

De certo e errado

De felicidade e tristeza

Anseia pelas promessas de uma sociedade que se apresenta como ideal

Frustra-se com o fato de que, não importa seu esforço, não foi abençoado com a família de propaganda de margarina

Apega-se à magoa de que seus filhos não foram capazes de seguir seus ensinamentos, de incorporar seus valores e práticas às vidas deles

Fica inconformado com o fato de a vida matrimonial ser tão diferente daquilo que seus guias espirituais pregavam como verdade

Escondido atrás da ilusão de controle

Meticulosamente construída através de uma rotina automatizada

Encontra o pavor da morte

Mas será que o que realmente o terroriza não seria viver uma vida em sua plenitude?

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