Éramos melhores amigos

 Estávamos deitados na cama dela. Não, não era uma apenas um colchão no chão; Estávamos deitados de forma que nossos nossos pés estavam em frente do rosto do outro Assim, sobrava mais espaço para cada um pois não éramos um casal, apenas bons amigos, e evitávamos o excesso de contato físico e não precisávamos ficar em poses íntimas demais.

Tínhamos uma amizade única. Éramos unidos por várias afinidades e nos acostumamos a fazer tudo junto sem as pressões das restrições sociais. Fazíamos tudo junto, até mesmo dormir.

Nossa amizade, até então, era algo que se aproximava muito de amor. Para ser mais específico, era um tipo de amor singelo, sem a tensão sexual. Não é que eu não me sentia atraído a ela, que não a desejava, mas a relação física era tão desnecessária que nunca a materializamos. Éramos, afinal, melhores amigos e isso bastava.

Mas aquela noite foi diferente e tornou todas as noites posteriores.

Acordei de madrugada e não conseguia mais dormir. Insônia. Ficava me mexendo  incessantemente até que, sem querer, encostei em seus pés. Do nada uma indescritível vontade de lhe fazer cócegas nos pés. Lentamente, comecei e senti a reação dela. |Inicialmente, ela não se mexeu, não fez nada como se não estivesse acontecendo nada. Então, depois de um tempo, começou a contorcer as pernas, inicialmente calada.

Então ouvi uma voz doce, em um tom relaxado mas excitado.

 “Tem certeza que quer fazer isso?”

Eu, ainda com o rosto encarando seus pés, respondi com uma certeza que até me assustava.

“Sim.”, e levantei e me deitei de frente a ela, rosto no rosto, encarando seus encantadores olhos marrons.

“Tenho”. E meu rosto se aproximou do seu. Sento textura de seus lábios contra os meus. O gosto de sua boca era intoxicante. Sua pele, passando por meus dedos, era mais  suave do que seda. Sua postura quanto aquilo tudo era doce. Me senti perdido na imensidão que era ela, apenas de tocar sua face e beijar seus lábios. Eu sabia, naquele momento, como era o paraíso. Meu paraíso era ela, minha alma lhe pertencia.

Tudo foi acontecendo bem devagar. Sem pressa. Passamos um tempão em uma embriagante troca de beijos e carícias. Não era, afinal de contas, uma relação carnal mas sim duas pessoas se expressando com seus corpos, com carícias e demonstração de um desejo contido. Ela era, agora, além de minha melhor amiga, a melhor parte de mim e eu queria aproveitar cada minuto, cada movimento, toque, carícia e sensação. Aquelas carícias aconteceram por um longo tempo. 

Mas este tempo acabou e, lentamente, fui tirando sua carícias e beijando seu corpo.Eu estava acostumado com a nudez, ambos estávamos, sendo estudantes de belas artes e tendo aulas de modelo vivo. Mas aquilo era diferente. E também não era como as cenas dos filmes onde o desejo torna a situação uma de pertencimento e agressividade. Era singelo. Era como o primeiro beijo, o primeiro toque, o primeiro olhar apaixonado.

Ela retirou a minha roupa com o mesmo cuidado. Estávamos nos comunicando. A cada toque, a cada gesto. A cada ação.

Nossas peles se encostaram em uma doce carícia expressando o desejo de forma singela, inocente. 

Então parei e comecei a analisá-la. Meus olhos se perderam entre seu ventre, minha mente procurando entender e memorizar aquela parte da anatomia feminina que, para mim, era tão alienígena. Minha apreciação era única em uma grande olhada, na percepção de cada detalhe.

Ela parou e me fitou nos olhos.

“O que foi?”

“Estou aproveitando a vista.”

“Nunca viu?”

“Em revistas e nas aulas de modelo vivo mas nunca assim, ao vivo.”

Beijei sua barriga e fui subindo até chegar em sua boca e nos perdemos em uma carícia.Nossas línguas se entrelaçavam enquanto nossos corpois iam se despindo de suas inibições. Horas se passaram enquanto nos comunicávamos de forma tátil realizando, até que enfim, a materialização de nossos desejos e a expressão de nossos sentimentos. Ela era minha melhor amiga e, agora, algo muito maior e mais importante. Era o amor da minha vida.

Como que em uma conversa, com argumento e contra-argumento ficamos nos revezando ao explorar os corpos um do outro até que fomos vencidos pela exaustão.Dormimos em um abraço que não tardou para se transformar em um encaixe perfeito, de conchinha.

Ao amanhecer, acordo com ela aos meus braços. Dou um beijo em sua testa.

“Bom dia.”

Ela se vira, sobe em cima de mim e me dá um beijo na boca,

“Bem dia.”     


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